sábado, 23 de junho de 2012

Exercício de Revisão - 2º Ano

Assuntos: Prosa Romântica no Brasil e Realismo/Naturalismo Brasileiro


1-      No que concerne à Prosa Romântica Brasileira, assinale V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
(   ) Durante o Romantismo, houve um significativo desenvolvimento da prosa de ficção brasileira, sobretudo do romance, devido à existência de um público consumidor e de autores que iam ao encontro das aspirações do mesmo.
(   ) Merecem destaque entre os romancistas desta fase Joaquim Manuel de Macedo, José de Alencar, Visconde de Taunay e Raul Pompéia.
(   ) Pode-se dividir a obra de José de Alencar em três fases. A primeira, de 1856 a 1864, na qual ele publicou alguns significativos romances e quase todos seus textos teatrais. Na segunda, de 1866 a 1869, ele cunhou, basicamente, escritos políticos. Já na terceira fase, de 1870 a 1875, publicou oito livros de ficção.
(   ) Em ‘Memórias de um Sargento de Milícias’, de Bernardo de Guimarães, o protagonista é Leonardo, filho enjeitado de Leonardo Pacata e de Maria da Hortaliça, que fora criado pelo padrinho e depois pela madrinha e desde cedo dava demonstrações de traquinagem. Amava Luisinha, mas esta se casara com José Manoel. É preso pelo Major Vidigal, depois ganha a liberdade e torna-se praça.

2-      A respeito de Realismo, pode-se afirmar:
 
I   – Busca o perene humano no drama da existência .
II  – Defende a documentação de fatos e a impessoalidade do autor perante a obra.
III – Estética literária restritamente brasileira; seu criador é Machado de Assis.
 
a) São corretas apenas II e III.
b) Apenas III é correta.
c) As três afirmações são corretas.
d) São corretas I e II.
e) As três informações são incorretas.

3-      Das características abaixo, assinale a que não pertence ao Realismo:
 
a) Preocupação critica.
b) Visão materialista da realidade.
c) Ênfase nos problemas morais e sociais.
d) Valorização da Igreja.
e) Determinismo na atuação das personagens.
 

4-      Enumere a segunda coluna de acordo com a primeira, no que diz respeito aos autores e suas obras.

( 1 ) Aluísio Azevedo
( 2 ) Raul Pompéia
( 3 ) Machado de Assis

(   ) Memórias póstumas de Brás Cubas
(   ) Canções sem metro
(   ) O Mulato
(   ) Casa de Pensão
(   ) Dom Casmurro
(   ) O Ateneu  

5-      Explique sobre a produção teatral do Brasil no final do século XIX, informando suas características e citando os principais autores.


Gabarito

1-      V F V F
2-      D
3-      D
4-      3 2 1 1 3 2
5-       França Júnior e Artur Azevedo são os dois autores de teatro mais importantes do final do século XIX. Ambos se dedicaram à comédia e à sátira social.França Júnior (1838-1890), influenciado por Martins Pena, retratou bem certos tipos humanos e situações da época. Suas peças mais famosas são As doutoras e Caiu o ministério. Artur Azevedo (1855-1908) foi um infatigável batalhador pelo desenvolvimento do nosso teatro. Manteve durante anos a fio uma coluna na imprensa sobre o mundo teatral brasileiro. Foi cronista, contista e autor de numerosas comédias, dentre as quais merecem destaque “A capital federal” e “O dote”.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010


sábado, 30 de outubro de 2010

Literatura: arte que interpreta o mundo

"Admiro os poetas. O que eles dizem com duas palavras a gente tem que exprimir com mulhares de tijolos".
(João Batista Vilanova Artigas (1915-1985), arquiteto brasileiro)



A leitora, quadro de Renoir 

Para quê devo aprender isto? Qual é a utilidade desse conteúdo para a minha vida? Certamente indagações como essas estão impregnadas no bojo de adolescentes que estão iniciando a jornada no Ensino Médio. Recordo que eu próprio também me fazia tais questionamentos. Contudo, não encontrava quem respondesse às minhas inquietações de maneira satisfatória. Tive que aprender sozinho.
No que diz respeito à Literatura, descobri que ela é um segmento de arte, ou seja, é uma das formas de o homem se expressar com perfeição. Há quem diga que, por intermédio da obra literária, o autor pode conduzir o leitor à compreensão exata dos seus pensamentos, tal é o manejo do escritor com a linguagem.
E o que é a linguagem, se não aquilo que concebemos como real? O editor da revista Língua, Luiz Costa Pereira Junior, afirma que "a nossa relação com o mundo e as pessoas é determinada mais pelas versões dadas pela linguagem do que pelos acontecimentos reais". Isto é, a partir do que apreendemos por meio da linguagem é que forjamos nossa visão de mundo, e o real não é compreendido em sua totalidade, mas apenas interpretado de acordo com o que "vislumbramos".
O poeta moderno norte-americano Ezra Pound diz que "literatura é a linguagem carregada de significado. Grande literatura é simplesmente linguagem carregada de significado até o máximo grau possível".

Literatura x sociedade

Pois bem; a Literatura é um segmento artístico. Aristóteles já dizia que "a arte é uma mimese (imitação) da realidade". Ou, em outras palavras, é o retrato social de uma época.
Mas esse retrato não é, até por valer-se da linguagem da existir, idêntico à realidade. A literatura expressa uma supra-realidade, recriada a partir do seu olhar. Uma dada situação é "fotografada" pelos "olhos" do poeta.
Observe, por exemplo, como Carlos Drummond de Andrade "fotografou" o clima de medo que havia durante a Segunda Guerra Mundial:

Congresso internacional do medo

Provisoriamente não cantaremos o amor
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
.........................................................................
In:Reunião. 10.ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1980.  p.49



Texto Literário


A estética é uma das funções mais significativas do texto literário. Nele, o que se verifica não é sua semelhança com o real, mas a interpretação que dele se faz. William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Rubem Alves pontua esse conceito, nos introduzindo ao âmago da construção de obras literárias, quando diz que a percepção ocular é distinta nos seres. "Ver é muito complicado. (...) Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo", exemplifica o poeta em um artigo.
A plurissignificação é característica básica, que se relaciona com a estética. Ora, se um texto não foi escrito em sua função utilitária (preocupada em informar), abre-se a possibilidade de múltiplas interpretações e pode provocar os mais diversos sentimentos no leitor, em uma subjetividade que ratifica a definição de Pound, acima transcrita.
Outra característica intrínseca à Literatura é a documentação do imaginário, da ficcionalidade, ou seja, a simulação, o fingimento, a fantasia.

Gêneros Literários

Os gêneros literários designam a maneira pela qual os conteúdos literários se organizam em uma forma, por apresentarem estruturas semelhantes. A primeira divisão desses gêneros ocorreu na Grécia Antiga, feita por Aristóteles, que identificou três gêneros: lírico, dramático e épico.

Gênero lírico - é um certo tipo de texto no qual o eu lírico exprime suas emoções, idéias e impressões do mundo exterior. Normalmente é escrito em 1ª pessoa.

Gênero épico - há a presença de um narrador, que quase sempre conta uma história que envolve terceiros.

Gênero dramático - trata-se do texto escrito para ser encenado.


Historiografia Literária

Durante o Ensino Médio, além da habilidade interpretativa, o estudo literário baseia-se na comparação entre a produção e o contexto histórico, social e cultural no qual tal obra foi escrita.
Percebe-se, a partir desse estudo, que perdurará no mínimo até o final do 3º ano Médio, um movimento pendular da visão de mundo dos escritores. É a visão apolínea e a visão dionisíaca. A primeira enfatiza uma postura objetiva, racional em relação à vida. A segunda, trata de uma ótica mais subjetiva, emocional, idealista.

Estilos de época

Estilo de época é a denominação dada ao conjunto de traços e normas que orientam e caracterizam a produção artística de um determinado momento histórico.
A identificação de diferentes estilos de época orienta melhor o estudo das produções artísticas poiss a cada estilo de época corresponde uma escola literária, ou seja, um conjunto de características formais e de seleção de conteúdo evidente na obra de escritores e poetas que viveram em um mesmo momento.

Seiscentismo ou Barroco

                                           

O Barrroco foi uma escola literária desenvolvida no século XVII. Nesse período, o terror provocado pela “Santa Inquisição” (imagem) tentava limitar pensamentos e manifestações culturais e impor a austeridade.
Ora, convém compreender que, durante o Renascimento (movimento intelectual que, no século XV, incentivou a recuperação dos valores e modelos da Antigüidade greco-romana), o ser humano cresceu em vários aspectos. Um desses aspectos foi pessoal, libertando-se da ameaçadora fé medieval.
A principal marca dessa libertação foi a Reforma Protestante, liderada pelo monge alemão Martinho Lutero, que rompeu com a Igreja Católica ao afirmar a retidão e a santidade de todos aqueles que cressem verdadeiramente. A Reforma Protestante atingiu diretamente a Igreja, que defendia a redenção da alma humana tão-somente pelo cumprimento dos preceitos católicos e pagamento de indulgências.
A Companhia de Jesus, fundada por Inácio de Loyola durante o Concílio de Trento, liderou a defesa e difusão do Catolicismo, como forma de combate ao Protestantismo.
As escolas e universidades jesuítas criaram um estilo próprio de arte e arquitetura: ricamente ornamentadas por querubins e virgens celestiais, parecem tentar comover o coração da mesma forma que o pregador buscava seduzir o intelecto. Nascia assim, intimamente ligada ao espírito da Contra-Reforma, a estética do rebuscamento, da filigrana, da ornamentação rica e excessiva, que será, mais tarde, denominada de Barroco.

Movimento literário

Como movimento cultural e artístico, o Barroco se estende do final de século XVI até o início do século XVIII. Tem origem na Itália, alcança vários países europeus e algumas de suas colônias, como o Brasil.
Em virtude da oposição existente entre traços culturais do homem barroco, suas manifestações artísticas e literárias são assinaladas pelas seguintes características:

a)      Contraste: contraposição de temas, de assuntos, de motivos e de elementos expressivos, tais como a oposição entre a vida terrena e a vida eterna, espiritualidade e materialidade, etc.
b)      Verbalismo: uso exagerado de imagens, de figuras de sintaxe, de metáforas difíceis, floreios literários, tais como: “tronos do pudor” para dizer “faces”; “conselheiro das graças” para significar “espelho”; “mobílias da boca”, em vez de “dentadura”; “memória do dedo”, em vez de “anel” e assim por diante.
c)      Religiosidade: repetida freqüência de assuntos envolvendo toda uma problemática religiosa de época.
d)     Sensualismo: contraposição à característica anterior; ênfase dada aos aspectos táteis, visuais, sensitivos, tanto em relação à natureza como ao corpo humano.
e)      Pessimismo: nascido da oposição frontal feita entre o corpo e a alma, entre o eu e o mundo.

Cultismo e conceptismo

Diante da realidade, o homem barroco tinha duas perguntas: como é? o que é?
Da resposta à primeira pergunta surgiu a corrente cultista, que procurava esgotar descritivamente o ser em seu aspecto quer sensorial (cor, brilho, perfume, peso, forma) quer afetivo (gosto, dá prazer, dá pesar, etc.), utilizando para isso de inúmeras antíteses, metáforas, jogos de palavras. Muitas vezes o resultado era um malabarismo formal com pouco conteúdo. Tal corrente é chamada também de gongorismo, que teve no poeta espanhol Luís de Gôngora seu maior cultor. Contra o cultismo e, respondendo à segunda pergunta, surgiu o conceptismo, que era uma atitude de análise do ser, para a qual se empregavam os artifícios da lógica, como os silogismos, os dilemas etc. o cultismo foi predominante na poesia. O conceptismo, na prosa e teve como iniciador o poeta Quevedo, espanhol.

Barroco em Portugal e no Brasil

Para fins didáticos, o Barroco português vai de 1580 a 1756.
O ano de 1580 é significativo em dois aspectos: assinala a morte de Camões, o maior nome do Classicismo português, e marca o fim da autonomia política de Portugal, pois, com a morte de D. Sebastião, em 1578, o rei Filipe II, da Espanha, ganha o direito de subir ao trono português. Portugal passa a fazer parte do reino espanhol.
O padre Antônio Vieira é o principal autor do Barroco em Portugal, mas também se insere na literatura brasileira porque passou a maior parte de sua vida no Brasil.
Nos séculos XVII e XVIII, ainda não havia no Brasil condições para o desenvolvimento de uma atividade literária propriamente dita. Nosso imenso território era, na maior parte, despovoado. A vida social brasileira girava em torno de alguns pequenos núcleos urbanos e a vida cultural praticamente não existia. Só no século XIX começou a formar-se um público leitor que possibilitou a continuidade da produção literária.
Em vista dessa precariedade cultural da sociedade brasileira, seria exagero falar em movimento barroco no Brasil. O que temos, na verdade, são alguns escritores que, bebendo em fontes estrangeiras (geralmente autores portugueses e espanhóis), produzem aqui textos com características barrocas. Desses autores merecem destaque Gregório de Matos, por suas poesias e o padre Antônio Vieira, por seus sermões. Além deles, temos Bento Teixeira (1561?-1600), autor do poema “Prosopopéia”, de 1601, que costuma ser considerado o marco inicial do Barroco brasileiro, e Manuel Botelho de Oliveira (1636-1711), autor do livro “Música do Parnaso”.

domingo, 17 de junho de 2007

Quinhentismo

Contexto histórico
Esse termo é uma designação genérica das manifestações literárias produzidas no Brasil durante o século XVI. Nesse período, não se pode tratar de uma literatura do Brasil, mas sim, de uma literatura no Brasil - uma manifestação ligada ao Brasil, mas que denotas as intenções européias.

Marco inicial
1500 - A composição da carta de Pero Vaz de Caminha, escrivão da esquadra de Cabral, ao rei de Portugal, D. Manuel, relatando as características das terras descobertas.
Este documento, publicado em 1817, é considerado uma espécie de “certidão de nascimento” do Brasil.

Características

A produção literária do período se divide em dois tipos de literatura:

ü Literatura informativa (ou de viagens) - composta por documentos a respeito das condições gerais da terra conquistada, as prováveis riquezas, a paisagem física e humana etc. No princípio, a visão européia é idílica. Porém, na segunda metade do século XVI, à medida que os índios iniciam a guerra contra os invasores, a visão se transforma e os habitantes da terra são pintados como seres bárbaros e primitivos.

ü Literatura catequética - constituída pelos textos (poemas, peças de teatro) escritos pelos missionários para a catequização dos índios.

Autores e obras

ü Pero de Magalhães Gândavo, com Tratado da Terra do Brasil (escrito, provavelmente em 1570, mas publicado em 1826) e História da Província de Santa Cruz a que Vulgarmente Chamamos Brasil (1576);
ü Padre Fernão Cardim, com Narrativa epistolar (1583) e Tratados da terra e da gente do Brasil;
ü Gabriel Soares de Sousa escreveu Tratado descritivo do Brasil (1587);
ü Diálogo sobre a conversão dos gentios (1557), do Pe. Manoel da Nóbrega;
ü História do Brasil (1627), de Frei Vicente do Salvador;
ü Duas Viagens ao Brasil, publicada em alemão por Hans Staden em 1557;
ü Viagem à Terra do Brasil, escrito pelo francês Jean de Léry no ano de 1578.

A obra literária de Anchieta

José de Anchieta (1534-1597) ingressou na Companhia de Jesus com 17 anos. Em 1553, veio para o Brasil e aqui ficou até morrer. Desempenhou um papel destacado na fundação de São Paulo e na catequese indígena. Além de homem de ação, foi também escritor religioso, tendo produzido poesias líricas, épicas, teatro (autos), além de cartas, sermões e uma gramática da língua tupi.

Classicismo (1527-1580)

O Classicismo foi conseqüência do Renascimento, importante movimento de renovação científica e cultural ocorrido na Europa que marca o nascimento da Idade Moderna.
A base do Renascimento encontra-se no crescimento gradativo da burguesia comercial e das atividades econômicas entre as cidades européias, o que acabou estimulando a vida urbana e as manifestações artísticas, que passaram a ser patrocinadas por ricos comerciantes (mecenato). O aperfeiçoamento da imprensa possibilitou uma maior difusão de idéias novas, contribuindo para o enriquecimento do ambiente cultural. As grandes navegações alargaram a visão de mundo do europeu, que entrou em contato com culturas diferentes. A matemática se desenvolveu, bem como o estudo das línguas, surgindo as primeiras gramáticas de língua portuguesa.
Todo esse contexto fez nascer uma visão antropocêntrica de mundo. Ou seja, o homem é visto como centro do universo. O cristianismo continua imperando, mas o homem renascentista já não é tão angustiado com as questões religiosas como o era o homem medieval.
Dois movimentos religiosos que marcaram o século XVI tiveram grande repercussão social e cultural: a Reforma Protestante, liderada por Martinho Lutero (1483-1546); e a Contra-Reforma, movimento de reação da Igreja Romana
Os artistas – pintores, escultores, arquitetos – inspiravam-se nas obras dos antigos gregos e romanos, que se transformaram em modelos. Por isso mesmo, dizia-se que a gloriosa arte antiga estava renascendo.

Classicismo em Portugal

O marco inicial do Classicismo português é em 1527, quando se dá o retorno do escritor Sá de Miranda de uma viagem feita à Itália, de onde trouxe as idéias de renovação literária e as novas formas de composição poética, como o soneto. O período encerra em 1580, ano da morte de Luís Vaz de Camões e do domínio espanhol sobre Portugal.

Classicismo Literário

Os escritores classicistas retomaram a idéia de que a arte deve fundamentar-se na razão, que controla a expressão das emoções. Por isso, buscavam o equilíbrio entre os sentimentos e a razão, procurando assim alcançar uma representação universal da realidade, desprezando o que fosse puramente ocasional ou particular.
Os versos deixam de ser escritos em redondilhas (cinco ou sete sílabas poéticas) – que passa a ser chamada medida velha – e passam a ser escritos em decassílabos (dez sílabas poéticas) – que recebeu a denominação de medida nova. Introduz-se o soneto, 14 versos decassilábicos distribuídos em dois quartetos e dois tercetos.

Luís de Camões (1525?-1580): poeta soldado
Escritor de dados biográficos muito obscuros, Camões é o maior autor do período. Sabe-se que, em 1547, embarcou como soldado para a África, onde, em combate, perdeu o olho direito. Em 1553, voltou a embarcar, dessa vez para as Índias, onde participou de várias expedições militares.
Em 1572, Camões publica Os Lusíadas, poema que celebrava os recentes feitos marítimos e guerreiros de Portugal. A obra fez tanto sucesso que o escritor recebeu do rei D. Sebastião uma pensão anual – que mesmo assim não o livrou da extrema pobreza que vivia. Camões morreu no dia 10 de junho de 1580.

A Poesia Épica de Camões

Como tema para o seu poema épico, Luís de Camões escolheu a história de Portugal, intenção explicitada no título do poema: Os lusíadas. O cerne da ação desenvolve-se em torno da viagem de Vasco da Gama às Índias.

A palavra “lusíada” é um neologismo inventado por André de Resende para designar os portugueses como descendentes de Luso (filho ou companheiro do deus Baco).

A Estrutura

Os lusíadas apresenta 1102 estrofes, todas em oitava-rima (esquema ABABABCC), organizadas em dez cantos.

Divisão dos Cantos

1ª parte: Introdução
Estende-se pelas 18 estrofes do Canto I e subdivide-se em:

Ø Proposição: é a apresentação do poema, com a identificação do tema e do herói (constituem as três primeiras estrofes do canto I).
Ø Invocação: o poeta invoca as Tágides, ninfas do rio Tejo, pedindo a elas inspiração para fazer o poema.
Ø Dedicatória: o poeta dedica o poema a D. Sebastião, rei de Portugal.

2ª parte: Narração
Na narração (da estrofe 19 do Canto I até a estrofe 144 do Canto X), o poeta relata a viagem propriamente dita dos portugueses ao Oriente.

3ª parte: Epílogo
É a conclusão do poema (estrofes 145 a 156 do Canto X), em que o poeta pede às musas que o inspiraram que calem a voz de sua lira, pois está desiludido com uma pátria que já não merece as glórias do seu canto.




A Lírica Camoniana

Camões escreveu versos tanto na medida velha quanto na medida nova. Seus poemas heptassílabos geralmente são compostos por um mote e uma ou mais estrofes que constituíam glosas (ou voltas a ele).
Os sonetos, porém, são a parte mais conhecida da lírica camoniana. Com estrutura tipicamente silogística, normalmente apresentam duas premissas e uma conclusão, que costuma ser revelada no último terceto, fechando, assim, o raciocínio.
Camões demonstra, em seus sonetos, uma luta constante entre o amor material, manifestação da carnalidade e do desejo, e o amor idealizado, puro, espiritualizado, capaz de conduzir o homem à realização plena. Nessa perspectiva, o poeta concilia o amor como idéia e o amor como forma, tendo a mulher como exemplo de perfeição, ansiando pelo amor em sua integridade e universalidade.

Outros Autores

Ø Francisco de Sá de Miranda (1481-1558). Escreveu poemas na medida nova e na medida velha. Escreveu, ainda, a tragédia Cleópatra, as comédias Os Estrangeiros e Vilhalpandos.
Ø Antônio Ferreira (1528-1569). Discípulo de Sá de Miranda, escreveu Poemas Lusitanos, Castro, Bristo e Cioso.João de Barros (1496?-1570), autor de As décadas da Ásia.

terça-feira, 20 de março de 2007

Portugal: Literatura Medieval

Primeira Fase: Trovadorismo




Marco inicial: Canção da Ribeirinha ou da Guarvaia, de Paio Soares Taveirós (em 1189 ou 1198)

Poesia Trovadoresca

As obras de poesias trovadorescas eram chamadas de cantigas, por serem compostas atreladas à música. As cantigas se dividiam em dois grupos, a saber: líricas e satíricas. As líricas podiam ser de amor ou de amigo; as satíricas, de escárnio ou maldizer.

Cantiga de amor: o eu lírico (pessoa que fala no poema) é masculino e dirige-se à mulher amada, numa relação de vassalagem amorosa. O trovador trata a mulher de “senhora”. Essa mulher (normalmente casada) é sempre inalcançável, idealizada, fazendo com que o amor ao próprio amor, muitas vezes, seja maior do que o amor à mulher.

Cantiga de amigo: O eu lírico é feminino e dirige-se à natureza. No poema, a mulher normalmente queixa-se da falta do seu amado (que ela chama de amigo).

Cantiga de escárnio: sátira a uma pessoa ou aos hábitos culturais. Não há uma identificação precisa do “alvo” da poesia, mas um jogo de palavras, trocadilhos etc.

Cantiga de maldizer: sátira dirigida a uma pessoa identificada. Utiliza uma linguagem irônica e, por vezes, obscena.

Prosa

Nesse período, a prosa predominante era composta pelos livros de linhagem (nobiliários), cronologias (cronicões) e biografias dos santos (hagiografias). Havia, também, as novelas de cavalaria.

Segunda era: Humanismo

Marco inicial: 1434 - Nomeação de Fernão Lopes como cronista-mor do reino, durante a Dinastia de Avis.

Poesia Palaciana

Nesse período, a poesia se distancia da música. Por isso, ela passa por algumas inovações técnicas:

- Adoção de versos em redondilha (cinco ou sete sílabas poéticas);
- Uso da trova, do vilancete (poema composto por um mote de dois ou três versos, desenvolvidos em glosas) e da cantiga (poema composto por mote de quatro ou cinco versos e glosa de oito ou dez versos);

Prosa

Fernão Lopes escreveu três crônicas:

- Crônica de el-rei D. Pedro I: compilação e crítica dos principais acontecimentos do reinado desse monarca, conhecido como “Pedro, o Cru”;
- Crônica de el-rei D. Fernando: reconstituição do período que se inicia com o casamento de D. Fernando com Dona Leonor Teles e encerra-se com a revolução de Avis;
- Crônica de el-rei D. João: dividida em duas partes. A primeira, começa com a morte de D. Fernando, em 1383 e termina com a revolução que leva D. João I ao trono. Na segunda, descreve-se o reinado desse monarca, até 1411.

Teatro

Gil Vicente (1465?-1536) é considerado o iniciador do teatro português. Suas obras têm um caráter popular, diferenciando-se do teatro religioso produzido até então. Entre suas obras, destaca-se a Trilogia das Barcas (Auto da Barca do Inferno, Auto da Barca do Purgatório e Auto da Barca da Glória).